Se és eletricista, canalizador, pintor ou empreiteiro, já te perguntaram "quanto é por hora?" e já respondeste de cabeça, ao palpite. O problema é que o palpite costuma falhar no mesmo sítio: esquece as horas que não se cobram e os custos que pagas todos os meses.
Porque é que cobrar ao palpite não funciona
- Copiar o preço de outra pessoa ignora os teus custos. Quem tem carrinha financiada e oficina não tem os mesmos números de quem trabalha só com ferramentas.
- Contar todas as horas do dia como se fossem pagas. Na prática, uma parte vai em deslocações, orçamentos, telefonemas e ir buscar material.
- Esquecer os custos fixos. Pagas telemóvel, seguros, contabilista e ferramentas mesmo nos meses em que há pouco trabalho.
Passo 1 · Soma os custos fixos do mês
São os custos que pagas todos os meses, tenhas ou não trabalho. Por exemplo:
- Carrinha: seguro, manutenção média
- Telemóvel e internet
- Contabilista e programas
- Desgaste e renovação de ferramentas (uma média mensal)
- Renda de armazém ou oficina, se tiveres
Se tens dúvidas sobre que custos contar, pergunta ao teu contabilista.
Passo 2 · Define quanto queres ganhar por mês
É o valor que queres tirar para ti, depois de pagar os custos. Escolhe um número realista e que te sirva: não é o que "ficava bem", é o que precisas e o que queres.
Passo 3 · Conta as horas de trabalho do mês
Multiplica as horas por dia pelos dias por semana, e depois por 4,345 (as semanas médias de um mês). Tira a pausa de almoço.
Exemplo: trabalhas de segunda a sexta, das 9h às 13h e das 14h às 18h.
Passo 4 · Descobre as horas faturáveis
Nem todas as horas se cobram. Deslocações, orçamentos, compras de material, contactos com clientes e a parte administrativa levam tempo e não aparecem na fatura. Um ponto de partida razoável é contar 60% das horas como faturáveis, e ajustar com a tua experiência.
Passo 5 · Aplica a fórmula
Repara como o resultado muda com a percentagem de horas faturáveis (mantendo os mesmos custos e objetivo):
| Horas faturáveis | Horas por mês | Preço por hora |
|---|---|---|
| 50% | 86,9 h | 24,17 € |
| 60% | 104,3 h | 20,14 € |
| 70% | 121,7 h | 17,26 € |
Se subires o objetivo de 1 500 € para 2 000 €, com 60% de horas faturáveis o preço passa a 24,93 € por hora. Os valores são exemplos, e os teus números vão dar outro resultado.
Do preço por hora ao orçamento
Depois de teres o preço por hora, o orçamento de um trabalho é:
Por exemplo, pintar uma sala em 12 horas, com 85 € de material e 15 € de combustível e outros custos só deste trabalho:
Os custos que se repetem todos os meses ficam no preço por hora. Os custos de cada trabalho, como material e deslocações específicas, somam-se por cima. Assim não contas o mesmo custo duas vezes.
Erros comuns a evitar
- Contar todas as horas como faturáveis. É o erro mais frequente, e faz o preço sair baixo.
- Somar uma "margem" por cima de um preço por hora que já inclui o teu objetivo. Acabas por contar duas vezes.
- Usar o mesmo preço sem olhar para o lucro de cada trabalho. Há trabalhos que dão muito mais horas do que o previsto.
- Nunca rever. Os custos mudam e o preço também devia mudar.
Perguntas frequentes
- Quanto devo cobrar por hora?
- Depende dos teus custos fixos, do que queres ganhar e das horas que consegues faturar. Com a fórmula acima, cada profissional chega ao seu valor, em vez de copiar o de outra pessoa.
- O método serve para todos os ofícios?
- Sim. O método é o mesmo; mudam os números. Os custos fixos, o horário e a percentagem de horas faturáveis variam de ofício para ofício e de pessoa para pessoa.
- Com que frequência devo rever o preço por hora?
- Pelo menos uma vez por ano, ou sempre que mudam os teus custos, como combustível, seguros ou ferramentas, ou o teu horário.
Este artigo é informativo e usa números de exemplo. Conhece o FSM · Mais artigos